Notícias

Loading...

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Diagnóstico Ortodôntico, a Oclusão Dentária e os Articuladores

    Os articuladores surgiram na Odontologia há mais de 100 anos, e mostraram-se úteis na construção das próteses totais ou parciais e para trabalhos fixos. Porém, como instrumentos de pesquisa, mesmo os totalmente ajustáveis que possuem um componente indicador da posição mandibular (MPI), têm suas ciladas e limitações.

 

    Com os articuladores surgiu a necessidade de se reproduzir a posição mandibular na construção das dentaduras totais, criando-se o conceito de relação cêntrica. A aceitação desse conceito cresceu e foi adaptado para a dentição natural, da mesma forma como era aplicado à prótese fixa.

 

    Os adeptos das técnicas straightwire trouxeram para a Ortodontia o conceito protético de relação cêntrica e criaram, nos últimos anos, uma questão nova na especialidade com o emprego dos articuladores semi- ajustáveis do tipo Arcon, como instrumentos de diagnóstico, planejamento e tratamento. Assim, defendem a capacidade desses dispositivos de duplicar todos os movimentos fisiológicos da mandíbula para a determinação dos padrões de equilíbrio oclusal e consideram a montagem protética dos modelos de gesso no articulador, o supra-sumo da sofisticação ortodôntica.

 

    Os argumentos que refutam a validade do uso dos articuladores na Ortodontia não se referem ao articulador em si, e sim, às técnicas e modos de registro dos movimentos mandibulares.

 

    Na opinião de Ricketts(1.2.3) , os pontos iniciais e finais ou as posições dos movimentos mandibulares, não são passíveis de visualização na montagem dos modelos. A posição do eixo terminal de bisagra foi rejeitada e as concordâncias de opinião não chegaram, até hoje, ao que deve substitui-la.

 

    O problema central reside no conceito e na determinação clínica da relação cêntrica, o que pode induzir a erros, em função dos métodos usados e do uso das chamadas "placas de desprogramação muscular".

 

    Autores como Farrar, McCollum, Gelb, Roth e Slavicek, indicam, cada um a seu modo, uma posição ideal que os côndilos devem assumir nas cavidades glenóides para uma correta relação cêntrica.

 

    Ricketts(4.5.6) , em recentes trabalhos, informa que grande parte dos ortodontistas prefere, atualmente uma posição condilar que fique justaposta às eminências articulares dos temporais na região mediana dos discos, ou, em outras palavras, prefere uma relação cêntrica fisiológica.

 

    Para os adeptos da Terapia Bioprogressiva, o ponto de maior divergência está na chamada "conversão cefalométrica" feita sobre a telerradiografia incial do paciente depois da ação da placa de desprogramação muscular, com o registro em cera da mandíbula em relação cêntrica, servindo de guia para a montagem dos modelos no articulador.

 

    Já foi proposto fazer a tomada da telerradiografia inicial com o registro em cera da relação cêntrica colocado na boca do paciente. A contestação dos seguidores das técnicas straightwire argumenta que as interferências provocadas pelos contatos prematuros das maloclusões alteram a dimensão vertical do paciente, modificando muitas medidas cefalométricas.

 

    Além do equivocado uso da denominação protética (dimensão vertical), a divergência situa-se em parcos 1 ou 2 graus, não fazendo nenhum sentido criar uma falsa polêmica em torno de diferenças tão pequenas com absolutamente nenhuma variação das medidas cefalométricas, uma vez que se manteriam dentro de seus desvios-padrão.

 

    O fato de não se usar os articuladores como rotina em nossos consultórios, não deve servir de desculpa para tratamentos mal feitos. Por outro lado, a literatura especializada não tem mostrado trabalhos de pesquisa nesse campo que provem, de modo convincente, a validade clínica dos rígidos conceitos gnatológicos defendidos por essas técnicas ortodônticas.

 

    Como Jensen provou em seus trabalhos, os portadores de maloclusões dentárias severas têm assincronia muscular dos temporais e masseteres, que persiste mesmo depois de concluída a correção. Equilibrar essas oclusões de nada valerá, uma vez que a atividade muscular assíncrona as desequilibrará novamente em 1 ou 2 anos.

 

 

    A finalização ortodôntica inclui a fase de sobrecorreção da maloclusão.

 

 

    Qual é a validade de se montar os modelos de gesso no articulador para construir um posicionador que fará o papel de um aparelho de contenção?

 

    Sabemos, por experiência, que são necessários longos períodos de contenção para que os resultados da correção sejam estáveis a longo prazo. Durante esse tempo, ocorrem adaptações dos dentes, das estruturas associadas e termina o crescimento e o desenvolvimento facial, o que permitirá aos côndilos encontrarem, naturalmente, suas posições potenciais de relação cêntrica fisiológica, sem a "exigência" antibiológica de uma oclusão final em que a relação cêntrica seja igual à oclusão cêntrica. A normalidade biológica nunca é um ponto e ,sim, uma área.

 

    Para concluir, queremos chamar a atenção para a má qualidade das radiografias cefalométricas, de modo geral. Um diagnóstico ortodôntico feito a partir de uma telerradiografia com a cabeça do paciente mal posicionada no cefalostato, com falhas na exposição e na revelação e com o ponto pório traçado na parte superior dos anéis metálicos fora de centro, incluirá um sem-número de erros e não terá valor nenhum. E, a "conversão cefalométrica" só fará aumentar os erros e distorções.

 

    A Ortodontia é uma especialidade essencialmente cefalométrica. Com ela fazemos um diagnóstico crítico das condições de nossos pacientes e realizamos a sofisticação máxima - esta sim - da especialidade, que é a Previsão de Crescimento Facial e O VTG , ou seja, a visualização dos objetivos finais dos tratamentos, quando os pacientes atingem a maturidade. O VTG, sem qualquer sombra de dúvida, sinalizará os caminhos de progresso da especialidade nos próximos 20 anos.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

1.  RICKETTS, R.M.: Differences Between Straight Wire Techniques and Bioprogressive Philosophy. Inst for Biopro Educ. Scottsdale, AZ, 1966.

2.  RICKETTS, R.M.: Provocations and Perceptions in Cranio-Facial Orthopedics, first edition, RMO, Inc, 1989.

3.  RICKETTS, R.M.: The TMJ Beat Goes On. FOR Report Vol. XXVIII, n.2 Summer, 1996.

4.  RICKETTS, R.M. Physiologic Centric. FOR Report Vol. XXVII, n.2, Winter, 1996.

5.  RICKETTS, R.M.: Consummate Occlusion. Am Inst. for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1998.

6.  RICKETTS, R.M.: Undertanding the V.T.O.: Its Construction and Mechanics for Execution - Vol. 1,2 Am Inst for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1998.

 

Extraído de http://www.orthobenvenga.odo.br/index.html

 

0 comentários: